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Block #9

Rules

O euro digital

O Banco Central Europeu está a trabalhar numa forma digital de dinheiro vivo: o euro digital. Não é uma criptomoeda nem um substituto para a sua conta bancária, mas sim dinheiro público em forma digital. Este guia explica o modelo, o debate sobre a privacidade e as consequências para os bancos.

Mathias PeetersWritten by On-chain analist, AntwerpenUpdated Checked by the editorial desk

O que é realmente o euro digital

O euro digital seria dinheiro de banco central para o público: um crédito direto sobre o BCE, tal como uma nota de banco. Hoje em dia, quase todo o dinheiro na sua conta é dinheiro de banco comercial, um crédito sobre o seu banco.

Deteria euros digitais numa aplicação de carteira ou através do seu próprio banco, e pagaria com eles em lojas, online e entre pessoas em toda a área do euro.

  • Emitido pelo BCE, não por um banco comercial
  • Concebido para complementar o dinheiro em numerário, não para o substituir
  • Gratuito para utilização pessoal básica

Em que difere de criptomoedas e stablecoins

O Bitcoin e outras criptomoedas não têm emitente e têm um preço de cotação livre. O euro digital tem um emitente único e vale sempre exatamente um euro.

As stablecoins como a USDC ou a EURC voltam a ser diferentes: empresas privadas emitem-nas contra reservas. O euro digital seria dinheiro público com estatuto de moeda de curso legal.

O euro digital ao lado de outras formas de pagamento digital

FormaEmitenteValorRisco
Euro digitalBCEFixo: 1 EURRisco de banco central (muito baixo)
Depósito bancárioBanco comercialFixo: 1 EURRisco bancário, coberto até 100 000 EUR
StablecoinEmpresa privadaObjetivo de 1 EUR/USDRisco de emitente e de reserva
BitcoinNenhumFlutuanteRisco de preço

Privacidade: o que veria o banco central?

Esta é a questão mais sensível no debate. No modelo descrito pelo BCE, o próprio banco central não pode associar pagamentos a indivíduos: os bancos e prestadores de serviços de pagamento continuam a ser as partes que conhecem os seus clientes.

Para pequenos pagamentos offline entre dois dispositivos, pretende-se um nível de privacidade próximo do dinheiro em numerário. Os críticos assinalam que as garantias têm de ser fixadas na lei, e não apenas num modelo técnico.

Consequências para os bancos e a poupança

Se todos pudessem transferir fundos ilimitados para o BCE, os bancos poderiam perder depósitos rapidamente numa crise. É por isso que está previsto um limite de detenção por pessoa, frequentemente debatido na ordem de alguns milhares de euros.

Acima desse limite, o dinheiro refluiria automaticamente para a sua conta bancária habitual. Para a poupança pouco muda: o euro digital é um meio de pagamento, não um produto de poupança, e não paga juros.

Ponto de situação do projeto

O BCE encontra-se numa fase de preparação que abrange regras, tecnologia e testes. A introdução exige também legislação europeia: o Parlamento e os Estados-Membros têm de adotar a base jurídica.

Assim, o calendário não depende apenas do BCE. Acompanhe o nosso dossiê de regulamentação para conhecer a situação atual; o processo político dita o ritmo.

Frequently asked questions

O euro digital iria substituir o dinheiro em numerário?

Não. O BCE e a Comissão Europeia declaram explicitamente que o dinheiro em numerário continua a ser moeda de curso legal. O euro digital destina-se a complementá-lo.

O euro digital é uma criptomoeda?

Não. Tem um único emitente, um valor fixo de um euro e nenhuma rede aberta como o Bitcoin, embora possa recorrer a tecnologia do mundo cripto.

O governo poderia ver o que eu compro?

No modelo descrito, o BCE não vê dados pessoais; o seu prestador de serviços de pagamento vê o mesmo que já vê para um pagamento com cartão. As regras finais de privacidade constarão de legislação que ainda está em negociação.

Receberia juros sobre os euros digitais?

Não. É um instrumento de pagamento; os planos atuais não preveem o pagamento de juros e aplicam um limite de detenção por pessoa.

Quando chegará o euro digital?

Não existe uma data de lançamento fixa. A legislação europeia tem de ser finalizada primeiro, seguida de uma implementação faseada que poderá demorar vários anos.

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